A importância do diagnóstico correto do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
Por Silvino Teles Filho*
O diagnóstico correto do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um passo fundamental para garantir cuidado adequado, reduzir sofrimento e promover o pleno desenvolvimento do indivíduo ao longo da vida.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade, que podem se manifestar de formas distintas conforme a idade, o contexto e o perfil da pessoa. Por isso, um diagnóstico bem-feito vai muito além da observação de comportamentos isolados: exige avaliação clínica criteriosa, escuta qualificada, análise do histórico de vida, funcionamento escolar ou profissional, além da exclusão de outras condições que podem simular sintomas semelhantes.
Quando o diagnóstico é impreciso ou precipitado, os prejuízos podem ser significativos. Um falso positivo pode levar ao uso desnecessário de medicamentos, estigmatização e impactos emocionais. Já um falso negativo — quando o TDAH existe, mas não é reconhecido — pode resultar em baixo rendimento escolar ou profissional, dificuldades nos relacionamentos, baixa autoestima, ansiedade, depressão e maior risco de comportamentos impulsivos ao longo da vida.
O diagnóstico correto também é essencial porque o TDAH frequentemente coexiste com outras condições, como transtornos de ansiedade, depressão, transtornos de aprendizagem e transtorno do espectro autista. Identificar essas associações permite um plano terapêutico individualizado, combinando intervenções psicossociais, educacionais e, quando indicado, farmacológicas.
Diretrizes internacionais, como as descritas no DSM-5-TR e na classificação da Organização Mundial da Saúde, reforçam que o diagnóstico deve considerar critérios claros, início dos sintomas na infância, persistência ao longo do tempo e prejuízo funcional em mais de um contexto da vida.
Por fim, um diagnóstico correto não é um rótulo, mas sim uma ferramenta de cuidado. Ele possibilita acesso a tratamentos eficazes, adaptações escolares ou profissionais, maior compreensão por parte da família e da sociedade, e principalmente, oferece ao indivíduo a chance de compreender seu funcionamento, desenvolver estratégias e alcançar seu potencial com mais qualidade de vida.
Diagnosticar bem é, acima de tudo, cuidar melhor.
*Médico com Pós Graduação em Psiquiatria e Neurologia Clínica
