Aumenta preocupação de cientistas e entidades diversas com a qualidade do ar interior em ambientes de escolas
Existe uma preocupação de cientistas no Brasil que toma força a cada dia, com relação à qualidade do ar interior observado nas escolas, tanto públicas como privadas. Não apenas pelo calor ou frio resultante da falta de aparelhos de ar condicionado em muitas delas, mas também, e principalmente, em função da falta de manutenção, filtros adequados ou falta de renovação de ar nos aparelhos instalados nesses ambientes.
Essa questão, além de importante para o aprendizado e a cognição dos estudantes, tem levado a um aumento de problemas de saúde, desde sintomas de mal estar, passando por insuficiências respiratórias e transmissão de doenças dentro de instituições diversas de ensino.
Filtragens e normas técnicas
Para o professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), Antonio Luís de Campos Mariani, é preciso não apenas avaliar as filtragens disponíveis nesses aparelhos, mas também seguir normas técnicas existentes para que seja possível melhorar a situação.
O professor Mariani é coordenador do Laboratório de Estudos da Qualidade do Ar Interior (LEQAI), da Poli. Estuda há mais de oito anos o ambiente dentro de salas de aula e laboratórios, assim como os efeitos dos sistemas de tratamento de ar para reduzir os poluentes dentro desses ambientes.
O pesquisador tem pesquisado e verificado a importância de dois parâmetros importantes que precisam ser tratados dentro dos ambientes das escolas. O primeiro, é a avaliação sobre como fazer uma boa filtragem do ar em cada local específico, observando-se os efeitos da qualidade do ar interior na área.
O segundo parâmetro é a vazão de ar exterior que é preciso colocar dentro da sala de aula, e que também deve passar por meio de filtros, e que irá renovar o ar interior.
Novo laboratório
De acordo com o pesquisador, novo laboratório que está sendo montado no LEQAI da POLI USP terá sistemas de monitoração do ar interior e também uma estação que vai avaliar a qualidade do ar exterior. A comparação entre a concentração de poluentes nos dois ambientes poderá definir o caminho de filtragem com maior ou menor eficiência nos equipamentos especiais que fornecem o ar do ambiente estudado.
“Na cidade de São Paulo, por exemplo, observamos que nos meses de agosto e setembro de alguns anos o nível de poluição do ar exterior aumenta. Uma análise que nós queremos de fazer é se nestes meses poderemos usar filtros de maior eficiência e em outros meses filtros de menor eficiência, de forma a contribuir para uma boa qualidade de ar interior”, otimizando uso de recursos e de energia, relatou.
Renovação de ar
Mariani afirmou, também, que a maior parte dos ambientes que usam sistemas de ar condicionado, especialmente os equipamentos tipo “split” não possui renovação de ar interior. Segundo ele, é importante associar dois pontos — uma boa qualidade do ambiente interno depende da renovação constante do ar interior — e assim ajudar a informar melhor sobre esta questão, que está relacionada à saúde das pessoas.
O professor será um dos principais palestrantes do 15º Seminário Internacional de Qualidade do Ar Interior (QAI), a ser realizado nos dias 6 e 7 de maio, no Recife, pela Associação Brasileira de Refrigeração, Ar condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA).
A entidade representa empresas do segmento na indústria, comércio e serviços, com especialistas de renome nacional e internacional. Apresentará projetos específicos, cases com soluções exitosas de melhoria para os ambientes internos e abordará como foco principal o ar interno dentro das escolas. O seminário realizado no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), localizado na Cidade Universitária. Consistirá em uma verdadeira imersão sobre o tema.
