Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) são eleitos senadores por Pernambuco
Com 93,55% das urnas apuradas, eles tinham 2.347.030 votos (27,05%) e 2.165.640 votos (24,96%), respectivamente
Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) foram eleitos senadores por Pernambuco neste domingo (4). Com 93,55% das urnas apuradas, eles tinham 2.347.030 votos (27,05%) e 2.165.640 votos (24,96%), respectivamente (veja vídeo acima).
Em 2026, foram eleitos dois senadores em cada estado e no Distrito Federal, para renovar 54 das 81 cadeiras. Por isso, cada eleitor votou em dois candidatos diferentes.
Atual senador por Pernambuco, Humberto Costa foi eleito em 2010 e reeleito em 2018. Agora, vai para o terceiro mandato consecutivo e deve completar 24 anos ininterruptos no Senado. Foi eleito na chapa de João Campos (PSB).
Médico de formação, foi ministro da saúde no primeiro mandato do governo Lula (2003-2005), secretário estadual das cidades do governo Eduardo Campos (2007-2010) e secretário de saúde do Recife na gestão João Paulo (2001-2002).
Foi eleito vereador do Recife (2000), deputado estadual (1990) e deputado federal (1994), sempre pelo PT. Disputou, sem sucesso, duas vezes o governo do estado, ficando em 2º lugar (2002) e 3º lugar (2006). Também concorreu três vezes à prefeitura do Recife, em 1988 (4º lugar), 1992 (2º lugar) e 2012 (3º lugar).
Seus suplentes são o deputado federal Luciano Bivar (MDB) e o doutor em direito Manoel Moraes (PT).
Advogada, Marília Arraes disputou o Senado pela primeira vez e fez parte da chapa de João Campos (PSB), seu primo. Ex-deputada federal (2019-2022), foi eleita por três mandatos para vereadora do Recife (2008, 2012 e 2016). Neta do ex-governador Miguel Arraes (1916-2005), foi filiada ao PSB em suas primeiras eleições.
Se filiou ao PT após discordância com o primo e ex-governador Eduardo Campos (1965-2014) e ficou no partido até 2022, quando entrou no Solidariedade para concorrer ao governo do estado. Se filiou ao PDT em março deste ano.
Disputou a prefeitura do Recife em 2020, quando teve João Campos como rival, e concorreu ao governo de Pernambuco em 2022. Nas duas eleições, ficou em 2º lugar no 2º turno. O primeiro suplente é Abel Neto (PSB), ex-vereador do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife. A segunda suplente é a empresária Edjane Figueiredo (PSB).
Como foi a campanha
A corrida pelo Senado foi uma das mais concorridas da história de Pernambuco. Com 12 candidatos, foi a disputa com mais postulantes, empatada com as eleições de 2002 e 2022. Desde as primeiras pesquisas após o início oficial da campanha, em 16 de agosto, Marília Arraes aparecia na frente, seguida por Humberto Costa e Mendonça Filho.
Em 2026, com duas vagas em jogo, o confronto pelas vagas do Senado foi destaque em todo o país por conta da possível mudança do perfil da casa legislativa responsável, por exemplo, por aprovar e votar o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em Pernambuco, a batalha pelo Senado ficou atrelada às figuras políticas. Apesar de estarem na chapa de João Campos (PSB), Humberto Costa e Marília Arraes usaram como estratégia quase que exclusiva o apoio do presidente Lula.
Na chapa de Raquel Lyra, os candidatos Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadelha (PSD) reforçaram várias vezes que eram os candidatos da governadora.
Concorrendo em chapa avulsa, Mendonça Filho participou de agendas junto com Raquel e seus dois candidatos oficiais ao Senado. O candidato do PL também se atrelou ao presidenciável da sigla, Flávio Bolsonaro, e a outros nomes, como a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro (PL).
Correndo por fora, Carlos Sant’Anna (Novo) também foi candidato avulso e pedia votos para Raquel Lyra. Já Paulo Rubem Santiago (Rede), candidato da chapa de Ivan Moraes (PSOL) e apoiador de Lula, rivalizou pela esquerda com Humberto e Marília.
Entre os temas mais citados pelos candidatos ao Senado em Pernambuco estiveram atração de investimentos para o estado, destinação de emendas para compra de equipamentos hospitalares, distribuição de canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS), escolha dos ministros do STF e até endurecimento de penas e combate ao feminicídio.
No início de setembro, o g1 promoveu um debate inédito com os seis candidatos de partidos ou federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso, ou que alcançaram ao menos 5% de intenções de voto na pesquisa Quaest.
O debate foi marcado por discussões sobre medidas de combate à violência contra a mulher, regras para emendas parlamentares e a relação entre o governo, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
Disputa pelas vagas na disputa pelo Senado
A disputa pelas duas vagas de Pernambuco no Senado foi marcada por meses de negociações políticas, mudanças de alianças e uma disputa interna entre os próprios grupos que se preparavam para a eleição.
Diversos nomes disputavam espaço nas chapas da governadora Raquel Lyra (PSD) e de João Campos.
A composição da chapa do ex-prefeito do Recife passou por meses de indefinição. Marília Arraes, que havia perdido a disputa pelo governo de Pernambuco para Raquel Lyra em 2022, tentou se viabilizar para uma candidatura ao Senado.
Diante da indefinição, chegou a falar que sua candidatura não teria volta atrás e que poderia disputar de forma avulsa, sem o apoio de uma chapa para o governo.
A possibilidade provocou tensão dentro da aliança. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, chegou a afirmar que o partido poderia apoiar a reeleição de Raquel Lyra caso isso fosse necessário para viabilizar a candidatura de Marília.
A definição veio em março, quando João Campos anunciou sua chapa completa após reuniões em Brasília com os presidentes nacionais do PDT e do PT, Carlos Lupi e Edinho Silva. Marília foi oficializada como candidata ao Senado, ao lado do senador Humberto Costa (PT).
Outro nome que tentou se viabilizar como candidato ao Senado pela Frente Popular de Pernambuco foi Miguel Coelho (União Brasil), ex-prefeito de Petrolina, no Sertão. Entretanto, em fevereiro, ele e parentes tornaram-se alvos da Operação Vassalos, da Polícia Federal, que apura um suposto esquema criminoso de desvios de emendas parlamentares.
Com a definição da chapa do PSB, Miguel Coelho rompeu com o ex-prefeito do Recife e passou a apoiar a governadora Raquel Lyra. Na mesma federação, havia Eduardo da Fonte (PP), que até chegou a conversar com João Campos, mas também foi preterido.
Nos meses seguintes, no entanto, o nome de Eduardo da Fonte começou a ganhar musculatura política para a disputa, e ele passou a ser incluído nas pesquisas de opinião para o pleito, chegando ao terceiro lugar nas intenções de voto.
No fim de junho, a federação fez uma reunião em que aprovou o nome de Eduardo da Fonte como pré-candidato ao Senado, já que o PP detém maioria dos filiados entre os dois partidos. A decisão foi ratificada pelo presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, mas desautorizada pelo dirigente nacional do União Brasil, Antônio Rueda.
Com isso, o imbróglio seguiu. Os dois partidos se reuniram diversas vezes com a governadora Raquel Lyra, mas nada foi definido até o último fim de semana de convenções partidárias, quando Miguel abriu mão da disputa e Eduardo da Fonte foi confirmado como candidato.
O outro nome da chapa foi o deputado federal Túlio Gadêlha, que teve a pré-candidatura lançada ainda em abril, quando saiu da Rede e se filiou ao PSD. Atuante na esquerda, Túlio foi apontado como estratégia de aproximar o palanque da governadora do presidente Lula.
Outros nomes também entraram na corrida, como Mendonça Filho (PL), que concorreu avulso, mas que apoiou a reeleição da governadora Raquel Lyra. O partido também planejava lançar Silvio Nascimento, vereador de Caruaru, no Agreste. Ele, no entanto, abriu mão da candidatura em prol de Mendonça.
