EX-DIRETOR DE PRESÍDIO É PRESO EM OPERAÇÃO QUE INVESTIGA ESQUEMA DE CORRUPÇÃO E EXTORSÃO EM PERNAMBUCO
O policial penal Emanuel Roberto Franca de Lima, ex-diretor do Presídio de Vitória de Santo Antão, na Mata Sul de Pernambuco, foi preso nesta terça-feira (25) durante a Operação Controle Paralelo, deflagrada pela Polícia Civil para investigar um suposto esquema de corrupção, extorsão e lavagem de dinheiro dentro da unidade prisional.
De acordo com as investigações, iniciadas em outubro de 2022 após denúncias encaminhadas ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), familiares de detentos eram supostamente extorquidos por um preso que exercia a função informal de “chaveiro”. Ele teria controle sobre pavilhões, impondo regras e utilizando a violência para cobrar valores dos familiares.
Segundo o delegado Jorge Pinto, do Grupo de Operações Especiais (GOE), as cobranças estariam relacionadas, entre outros itens, à aquisição de colchões para as celas e produtos comercializados em cantinas irregulares.
A Polícia Civil aponta que o ex-diretor teria contribuído para a permanência do detento na posição de liderança informal dentro do presídio. A investigação também identificou indícios de proximidade financeira entre os envolvidos.
Ainda segundo a polícia, parte do dinheiro arrecadado no esquema teria sido movimentada por familiares de policiais penais e destinada a uma empresa de comercialização de camarões localizada em Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. O estabelecimento pertence ao ex-chaveiro, que está foragido.
A polícia suspeita que a empresa tenha sido utilizada para lavagem de dinheiro, por meio da criação de viveiros de camarão. Durante a operação, também foram realizadas diligências em um depósito utilizado pelo investigado para armazenar insumos.
OPERAÇÃO
Emanuel Roberto Franca de Lima foi preso em Escada. Um policial penal aposentado também foi capturado em Vitória de Santo Antão. Além deles, foram presos um sobrinho do ex-chaveiro, que acabou autuado em flagrante após ser encontrado com uma espingarda calibre 12, e um ex-presidiário apontado como ligado ao tráfico de drogas e à lavagem de capitais.
Outros dois mandados de prisão ainda não haviam sido cumpridos. Entre os alvos estão outro policial penal e o ex-chaveiro, que não foi localizado. Na residência dele, os policiais encontraram três armas de fogo.
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, incluindo diligências na empresa de venda de camarões localizada em Porto de Galinhas.
A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 3,5 milhões em bens dos investigados. A medida tem como objetivo impedir a movimentação do patrimônio e garantir eventual reparação dos prejuízos, caso os crimes sejam comprovados.
Os investigados são apurados pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro relacionados às atividades dentro do presídio.
EX-DIRETOR CONTINUAVA EXERCENDO FUNÇÃO PÚBLICA
Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) informou que os policiais penais presos na operação não ocupam cargos de gestão desde novembro de 2023, quando foram afastados pela atual administração.
Segundo a Polícia Civil, Emanuel continuava exercendo funções públicas no Presídio Rorinildo da Rocha Leão, em Palmares, também na Mata Sul, mas sem ocupar cargo de chefia.
As defesas do ex-diretor e dos demais investigados não foram localizadas para comentar as acusações.
(Com informações do JC)
