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“Querido e amado”, diz filha de idoso de 70 anos que morreu após pular em enchente no Beberibe

Por Genivaldo Henrique – da Folha de Pernambuco

“Muito querido e amado por todos”. Foi assim que Ranielly Santos, 24 anos, descreveu o pai, Edvaldo Pinto dos Santos, 70, encontrado sem vida neste domingo (3). Ele estava desaparecido desde a sexta-feira (1º), quando pulou em uma enchente no bairro do Beberibe, Zona Norte do Recife, e foi arrastado por uma correnteza.

Em entrevista à Folha de Pernambuco, Ranielly informou que, além dela, Edvaldo deixa mais três filhos. Ele era conhecido no bairro por seus personagens e seu bom humor, já que atuava como palhaço e animava celebrações locais.

“Meu pai era muito querido, muito querido mesmo, de verdade. Todo mundo gostava dele, muita gente amava ele. Ele era muito brincalhão. Tinha personagens como o palhaço ‘Pitombinha’, fazia animação em mercados, lojas… só coisas boas”, contou.

‘Foi uma brincadeira e acabou em fatalidade’

O momento em que o idoso foi arrastado pela enchente foi registrado em vídeo que circula nas redes sociais. Nas imagens, é possível ver Edvaldo pulando na água, mas sem encontrar força para retornar.

Segundo Ranielly, o pai morava sozinho e, portanto, a família não estava no local para impedir que ele pulasse. Antes de ser arrastado, inclusive, ele já havia pulado uma vez e conseguido voltar à superfície.

“Ele já tinha feito algumas vezes, algumas enchentes atrás. Ele sempre gostava de pular, fazer essas coisas no meio da vizinhança. Na sexta, ele pulou uma vez, voltou e pulou de novo. Foi uma brincadeira e acabou numa fatalidade”, disse.

Família suspeitava doença de Alzheimer

Segundo a filha, a família suspeitava que Edvaldo tinha princípio da doença de Alzheimer. A família havia, inclusive, marcado exames para o próximo dia 15 de maio, em busca de um laudo que comprovasse a efermidade para que pudessem lhe dar o tratamento devido.

“Eu estava na minha casa e ele morava sozinho. Ele nunca quis morar conosco, morava há mais de 10 anos nessa comunidade. A gente não tinha documentos para interditar ele, mas suspeitávamos da doença. Estava tudo marcado para os exames, mas infelizmente não tinha como fazer nada porque ele não queria nos ouvir. Estávamos tentando conseguir o laudo”, afirmou.

Após dias de angústia, a filha, assim como toda a família, está aliviada em finalmente ter obtido uma resposta para a angústia que sentiam.

“A gente está devastado. Não esperávamos, mas estamos aliviados porque encontramos. Estávamos muito angustiados. Graças a deus encontramos e poderemos dar a ele um enterro digno”, relatou a filha.

O que dizem os bombeiros

Procurada, a assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) informou que tenta contato com as equipes de resgate e que deve trazer atualizações sobre o caso em breve. O canal segue aberto.